FESTIVAL GASTRONÓMICO “VILA VIÇOSA À MESA”

O Festival Gastronómico “Vila Viçosa à Mesa” decorre durante o ano na primeira semana de cada mês, dá corpo e alma à oferta gastronómica do nosso concelho e pretende elevar mais alto esta oferta, aliciar e trazer aos estabelecimentos de restauração do concelho os muitos turistas e visitantes que nos procuram, com ofertas gastronómicas temáticas que evidenciam o melhor que há para degustar em Vila Viçosa.

Semana das Açordas e Migas (Janeiro)

O pão é um elemento obrigatório da “dieta alentejana”, ao qual é dado um tratamento de rei, comprovado na grande variedade de açordas, nas migas e nos ensopados.
As açordas, de origem pobre e rural enriqueceram a gastronomia alentejana através dos sabores singelos que se encontrou com a adição do pão (preferencialmente duro), dos coentros, dos poejos, do alho, do azeite, do sal e da água quente onde, muitas vezes, cozeu uma posta de bacalhau ou de pescada.
Exemplos deste prato da gastronomia alentejana que os apreciadores poderão degustar: Açorda alentejana com bacalhau; Migas de espargos com secretos; Migas alentejanas com entrecosto; Açorda de codorniz, entre outros.

Semana do Porco (Fevereiro)

A Semana do Porco no Festival Gastronómico “Vila Viçosa à Mesa” é o tempo do reencontro com os pratos típicos da cozinha tradicional alentejana, onde a carne de porco é soberana. É nesta época do ano que a identidade cultural alentejana, nos costumes do ciclo da vida rural, traz à mesa a apaladada “carne do alguidar” e se fazem os enchidos.

Os restaurantes intervenientes apresentam as suas melhores iguarias de carne de porco, podendo ser degustados pratos de secretos, plumas, bochechas, pezinhos, lombinhos, febras, entrecosto, costeletas, cachaço, feijoada, cachola da matança, confecionados através da aplicação de diversas receitas tradicionais e com os mais variados acompanhamentos.

Semana do Peixe do Rio (Março)

Desde sempre foram fortes os laços com o rio Guadiana e os seus afluentes. Os habitantes de Vila Viçosa – Calipolenses – fizeram destes percursos de água um meio de atividade lúdica e também de sua subsistência.
A Semana do “Peixe do Rio” no Festival Gastronómico “Vila Viçosa à Mesa” marca o tempo do reencontro com os pratos típicos onde o Peixe do Rio é Rei – Caldetas, Caldeiradas, Peixes fritos e grelhados (Lúcio-perca, Carpa, Barbo, Achigã e outros), de onde ressaltam os mais diversos tipos de tempero e acompanhamento, marcando destacada presença as tradicionais ervas de cheiro – alho, louro, salsa, coentros, poejo.
É nesta época do ano que se celebra a identidade cultural do Guadiana e se destacam as suas memórias gastronómicas.

Semana do Borrego (Abril)

Os pratos tradicionais elaborados à base de carne de borrego, são um dos símbolos da gastronomia alentejana e da época de Páscoa.

Semana dos Espargos (Maio)

Os espargos são um legume suculento e de textura peculiar e tem a sua origem centrada na zona mediterrânica. No Alentejo ganha uma dimensão muito própria no património gastronómico, estando presente em diversas iguarias. Destacamos alguns pratos: Sopa de Creme de Espargos; Ovos mexidos com Espargos e Chouriço; Migas de Espargos, entre outros.

Semana do Renascimento (Junho)

Nesta semana é recuperada, nas ementas, a alimentação em uso na época do Renascimento e partilhamos alguns dos pratos que poderão ser degustados: coelho de vinagrete, tábua de enchidos do javali, cogumelos recheados com faisão e pombo torcaz, terrina de veado com molho de frutos do bosque, nacos de vitela estufados, borregão assado em forno de padeiro, arroz de lebre, lombo de borrego em cama de trouxa de couve lombarda e rabanete, perdiz brava da cozinha da Infanta D. Maria de Portugal, Real favada de caça, magret de pato acompanhado com espinafres, pinhões e passas salteadas, lombinhos de porco do montado com migas de espargos silvestres. Poderão ainda ser saboreados toucinho-do-céu, tarte de natas, queijadinhas de requeijão e compota de abóbora, sericá, real manjar das chagas e encharcada com crumble de amêndoa e manjar de requeijão.

Semana das Sopas (Julho)

A sopa constitui, desde há muito tempo, um hábito intrínseco e generalizado dos portugueses e desempenha um papel de grande importância nos domínios histórico, cultural, gastronómico e nutricional.

De facto, a sopa faz parte da tradição alimentar portuguesa, cuja presença à mesa dos alentejanos é obrigatória.

Semana do Gaspacho (Agosto)

O gaspacho é um prato de cozinha mediterrânica e, inevitavelmente, da gastronomia tradicional alentejana. O gaspacho é uma sopa fria e aromática, muito agradável e apreciada, à base de tomate, pepino e pimento, um prato fresco para servir principalmente nos dias quentes, uma ideia excelente para começar um almoço de amigos.

Muito popular no Alentejo, os ingredientes não são totalmente triturados, sendo apenas cortados em pedaços pequenos, aos quais se junta pão, também cortado em pedaços, antes de temperar com azeite, vinagre e sal. Apesar de ter os ingredientes base tradicionais, o gaspacho é uma receita muito versátil, permitindo diversas variantes no seu acompanhamento, de acordo com o gosto e os hábitos individuais.

Semana do Cozido de Grão (Setembro)

O Cozido de Grão é um tradicional e muito apreciado prato da culinária Alentejana. É preparado com grão-de-bico, diversos legumes, batata, cenoura, feijão-verde, entre outros, e vários tipos de carne, podendo ser preparado com carne de borrego ou de porco e enchidos – linguiça, farinheira e morcela. A hortelã confere-lhe um paladar característico.

De véspera, põe-se de molho o grão em água e salgam-se as carnes. No dia seguinte, as carnes vão a cozer com água e hortelã. Na água de cozer as carnes junta-se cebola picada, tomate, alho e louro. Corta-se a abóbora, batata, feijão-verde, cenoura aos bocadinhos e o grão-de-bico. Junta-se tudo e deixa-se cozer bem. Serve-se o caldo sobre sopas de pão fininhas e folhas de hortelã e as carnes servem-se em recipiente à parte.

É uma iguaria deliciosa da “dieta tradicional alentejana”, ideal para evidenciar paladares e juntar à mesa a família e grupos de amigos. De tradição rural, o seu consumo está associado aos trabalhos no campo. Os trabalhadores rurais, quando se deslocam para o campo para a campanha do trabalho, levam consigo panelas de barro onde são confecionadas as suas refeições. No “rancho” de trabalhadores há sempre alguém responsável por pôr a panela de cada um ao lume, ao redor de uma forte fogueira que coze a comida.

Semana do Javali (Outubro)

A caça ao javali é uma prática na região alentejana, permitindo, através desta iniciativa, aos seus apreciadores degustarem diversas formas da sua confeção: Feijoada de javali, perna de javali assada no forno,  canapés de javali, pastéis de ragu de javali, lombinho de javali com puré de castanhas e manteiga de citrinos, terrina de javali com frutos silvestres, mostra de enchidos de javali e bife de javali com feijão salteado e castanhas meladas, são alguns exemplos das iguarias que se podem encontrar.

Semana da Caça (Novembro)

O Outono é, por excelência, “a época da comida de conforto e de carne de caça” e esta semana gastronómica “para além de celebrar a excelência cinegética do concelho de Vila Viçosa, distingue os costumes da estação, elevando a gastronomia associada ao produto caça”.

Semana do Porco Preto (Dezembro)

O Porco Preto alentejano pasta em total liberdade no montado, em regime extensivo, na busca de alimentos disponíveis – bolota e pasto – conferindo à sua carne excecionais caraterísticas gastronómicas que deliciam os amantes deste petisco alentejano.

Tiborna de Vila Viçosa

Doce apresentado envolto em papel de seda recortado em forma de renda e selado com fitas coloridas; composto por amêndoa, gemas de ovos, chila, pão, açúcar e canela. Tem a forma de uma calote esférica baixa, coberta com fios de ovos. Doce muito afamado com cerca de 5 a 6 cm de diâmetro.

Trata-se de um doce conventual muito usado em banquetes no Palácio de Vila viçosa. Julga-se que eram confecionadas, sob segredo, por freiras de um convento próximo, o Convento das Chagas de Vila Viçosa, pois só no século XIX a sua receita foi divulgada. No entanto, num livro publicado no século XVIII já apareceram referências a este doce. Em livros mais modernos, fala-se deste doce como património do receituário do Convento da Esperança de Vila Viçosa

Manjar de Chagas

Tem uma aparência acastanhada e os ingredientes para a sua confecção são gemas de ovo, o açúcar em ponto, a canela, o miolo de amêndoa, o pão e o peito de coelho desfiado. Posteriormente, é feita a trituração e mistura de todos os elementos da receita e a carne de coelho passa quase despercebida

Doce típico da doçaria conventual Calipolense, proveniente do Real Convento das Chagas de Cristo, fundado na primeira metade do século XVI pelo quarto Duque de Bragança, D. Jaime. Trata-se de uma receita um tanto ou quanto exótica, já que é utilizada carne na sua confecção. O Manjar da Chagas terá tido origem no século XVI. Inicialmente era utilizado o peito de frango, ingrediente algo insólito para um doce conventual. A proximidade com a Tapada Real, as incursões cinegéticas dos Duques de Bragança neste couto de caça e a grande quantidade de coelhos que eram oferecidos ao Convento, originou uma mudança de receita, a nível da carne utilizada.