AZEITE, O DELICIOSO OURO LÍQUIDO

O azeite é presença obrigatória em qualquer cozinha portuguesa. Acompanha múltiplos pratos e também tem aplicações na estética. Conheça melhor este alimento nutritivo que tanto apreciamos.

Um tempero ancestral

A primeira referência escrita de proteção à oliveira que se conhece na Península Ibérica é a que aparece no Código Visigótico. Este era um documento com regras legais para a população, datado do ano 654, por iniciativa do rei visigodo Recesvinto. Aplicava uma multa de cinco soldos a quem arrancasse oliveira alheia, uma penalização mais pesada do que as que se aplicavam a outras árvores.

No entanto, existem vestígios que já na Idade do Bronze existia oliveira em Portugal. No entanto, só nos séculos XV e XVI o seu cultivo se generalizou. Pensa-se que a oliveira terá origem na Mesopotâmia, chegando às regiões mediterrânicas no século IV a. C.. Hoje em dia o cultivo da oliveira e a produção de azeite são praticamente sinónimos de climas mediterrânicos como o português. Aqui se produzem alguns dos melhores azeites do mundo, premiados e afamados dentro e fora de portas. Mas, mais do que isso, consumidos e apreciados em todas as mesas de refeição.

O terceiro maior exportador de azeite da União Europeia

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, referentes a 2018, produzem-se em Portugal mais de um milhão de hectolitros de azeite. O Alentejo é, de longe, o maior produtor nacional, com mais de 800 mil hectolitros, seguindo-se Trás os Montes com 164 mil.

A produção dá resposta às necessidades dos portugueses, mas não só: afinal, somos o terceiro maior exportador de azeite entre os 28 Estados Membros da União Europeia, após a Espanha e a Itália. É o que indicam os dados do Eurostat, também relativos a 2018. Portugal tem cerca de 10% da quota de exportações, o que correspondeu a 56 mil toneladas de azeite exportado em 2018.

Azeites de ouro, prata e bronze

Numa época em que a agricultura em Portugal ganha um novo fôlego de modernidade e inovação, a produção de azeite reflete esta evolução e têm surgido no mercado azeites, e produtos seus derivados, com grande qualidade e requinte, inclusive de produção biológica. Como forma de reconhecimento, a qualidade dos azeites portugueses tem vindo a ser premiada, tanto a nível nacional como internacional.

Em Portugal, desde 2007 que o Concurso Nacional de Azeites distingue os melhores azeites. As categorias dividem-se entre frutado maduro, frutado verde suave, frutado verde médio e frutado verde intenso. Existem ainda prémios para os azeites de produção biológica, nas mesmas categorias, e outras medalhas de mérito relativas a feiras, melhor do mercado, prestígio e packaging.

No entanto, a fama e a qualidade dos azeites nacionais não conhece fronteiras. O prémio internacional Mario Solinas, o mais prestigiado em todo o mundo para este setor, tem vindo a premiar sucessivas vezes azeites portugueses.

Em 2018, o azeite alentejano da Sociedade Agrícola Vale do Ouro, em Ferreira do Alentejo. foi mesmo considerado o melhor azeite ligeiro do mundo.

O azeite ideal para cada ocasião

O azeite é algo que nunca pode faltar nas cozinhas dos portugueses. Usamo-lo tanto para cozinhar como para temperar, nos mais diversos pratos, e até há quem o utilize em torradas, à moda espanhola.

Seja qual for o uso que lhe damos, um português que se preze é apreciador de azeite. No entanto, há que saber escolhê-lo, entre as diversas categorias, mediante o uso que lhe vamos dar.

De um modo geral, azeites dividem-se em três categorias: azeite virgem extra, azeite virgem e azeite.

O azeite virgem extra é o ideal para colocar no prato e consumir, pois mantém as propriedades do fruto, e elevado valor nutricional. Rico em vitamina E, é um antioxidante poderoso na proteção das nossas células, e mantém uma acidez igual ou inferior a 0,8%. O azeite virgem também tem boa qualidade, mas distingue-se pela acidez superior a 2%.

Já o azeite (nem virgem nem extra) não é tão puro ou nutritivo, pois inclui misturas e refinação. Por esse motivo, deve ser usado para cozinhar, com a vantagem de suportar temperaturas mais elevadas sem se deteriorar. A par destas categorias, encontramos ainda no mercado azeites de Origem Protegida, biológico e elementares ou monovarietais, dependendo se são concebidos a partir de uma ou mais variedades de azeitona.

O azeite virgem e virgem extra é uma gordura de boa qualidade e pode ser consumido regularmente, mas com moderação.

Um museu original que conta tudo sobre o Azeite

Se for para os lados da Serra do Açor, no centro de Portugal, não deixe de visitar o Museu do Azeite. Situa-se, mais precisamente, na aldeia de Bobadela, que pertence ao concelho de Oliveira do Hospital e ao distrito de Coimbra.
A iniciativa de criar o Museu do Azeite partiu de um produtor de azeite, António Dias, que iniciou a atividade no setor em 1986. Ao longo dos anos, a sua paixão pelo setor levou-o a colecionar os mais diversos artefactos relacionados com a atividade, muitos deles autênticas relíquias, como um singular relógio movido a azeite.
Assim sendo, o Museu do Azeite é único no país. Foi inaugurado a 2 de dezembro de 2018 e mostra aos visitantes a história do azeite, bem como o seu processo de produção, que se alterou significativamente nas últimas décadas. De acordo com Alexandra Dias, filha do fundador do museu, «nos últimos 30 anos surgem novas variedades de azeitona que permitem maior rendimento, e novos métodos de apanha de azeitona, o que reduz o seu custo. Foi uma grande evolução, nas últimas décadas. No processo de extração de azeite, surge o sistema contínuo que reduz a mão de obra, há mais rapidez na sua extração, o que não deteriora as características organoléticas da azeitona e melhora a higiene e segurança alimentar.»
A par da visita interessante para miúdos e graúdos, da explicação sobre o processo de produção de azeite e das relíquias que aqui encontra, também a arquitetura do Museu do Azeite é, em si mesma, uma atração, pela sua originalidade: o conjunto dos edifícios formam nada menos do que um ramo de oliveira, com as respetivas folhas e azeitonas. Um projeto do arquiteto Vasco Teixeira, integrado numa área de 1700 metros quadrados. Um espaço onde, como não podia deixar de ser, também se produz azeite, com um método de trabalho que se distingue de outros lagares: «cada produtor traz a sua azeitona e leva o seu próprio azeite, não misturando com os outros produtores. Estamos sempre atualizados olhando para o futuro tecnológico. A grande aposta no futuro é azeite virgem extra na extração a frio, para não alterar o teor da azeitona. Estamos sempre a acompanhar as tendências do mercado.»
No primeiro ano, o Museu do Azeite atraiu mais de 13 mil visitantes. Fica a sugestão do Feiras de Sabores para que faça tabém uma visita, com a garantia de que valerá, com toda a certeza, a viagem.