SABORES AFRODISÍACOS – MITO OU REALIDADE?

Afrodsíaco: (adjetivo) 1. Que conserva a afrodisia ou a excita. 2. Relativo a Afrodite, deusa grega do amor. (Substantivo masculino) 3. Substância ou produto que estimula o desejo sexual. (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

A ciência tem vindo a demonstrar que os nutrientes que ingerimos determinam, em larga medida, o funcionamento e até a aparência do nosso corpo: tal como defendia o pai da medicina, Hipócrates, somos o que comemos. E se queremos ser românticos e ter uma libido saudável, os alimentos também nos podem ajudar. Descubra neste artigo os sabores afrodisíacos. 

“No que toca aos sabores afrodisíacos, percebe-se então que, antes de mais, é preciso manter o organismo nutrido e equilibrado, para evitar instabilidades prejudiciais a qualquer relacionamento…”

Como todos sabemos, para uma relação amorosa bem sucedida, é preciso que o romantismo seja mantido, e a boa notícia que partilhamos consigo é que os sabores que escolhe para encher o seu prato podem dar uma ajuda. Como? De diversas formas, devidamente comprovadas pela ciência!

De acordo com o estudo Exploring scientifically proven herbal aphrodisiacs do departamento de Farmácia da Universidade de Nova Deli (2013), um afrodisíaco é «um agente (alimento ou medicamento) que estimula o desejo sexual», e pode ser classificado num de três modos de ação: aumentando a líbido, a potência sexual ou o prazer sexual.

O artigo elenca uma série de plantas já estudadas na perspetiva de terem estes poderes afrodisíacos, entre elas o panax ginseng, o tribulus terrestris, a tamareira (phoenix dactylifera), a maca peruana (lepidium meyenii), o gengibre preto tailandês (kaempferia parviflora), entre outras. São plantas usadas desde há muito na medicina oriental, que o ocidente precisa de desmistificar e estudar antes de lhes reconhecer os poderes, o que não só é justo como também civilizado.

Consta que já o pai da medicina, Hipócrates, advogava que «somos o que comemos» e, de facto, esta máxima aplica-se também ao romantismo, ao desejo e à performance a nível sexual. Cérebro incluído, pois é aí que tudo começa.

Romantismo rima com… hormonas?

O terapeuta conjugal John Gray, que publicou há quase trinta anos o super-mega-bestseller «Os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus», hoje em dia debruça-se sobre o (des)equilíbrio hormonal de homens e mulheres e as respetivas causas, consequências e soluções. E, apesar de a sua área ser a terapia de casal, recomenda (e desenvolveu ele próprio) suplementos alimentares que ajudam a suprir carências nutricionais que provocam sintomas – inclusive desequilíbrios hormonais – que resultam em comportamentos incompatíveis com o romantismo (já para não falar em problemas de saúde graves). Falamos de comportamentos de stress, agressividade, irritabilidade, intolerância, etc. etc.

Lillian Barros é nutricionista funcional, autora do blogue Santa Melancia e autora de livros sobre nutrição e explica, em entrevista ao Feiras de Sabores, que de facto as hormonas «são responsáveis por variadíssimas funções, entre elas apetite, humor, sono, metabolismo, ansiedade, peso corporal, fadiga, retenção de líquidos, entre muitas outras.» E, como somos o que comemos, «as boas escolhas alimentares podem ajudar a manter os níveis de hormonas em equilíbrio.»

Para explicar melhor esta ligação, a nutricionista dá alguns exemplos: «alimentos como a soja, por exemplo, rica em isoflavona que apresentam uma conformação muito semelhante ao estrogénio, hormona abundante nas mulheres e que também está presente em menor quantidade nos homens. O grão de bico possui alta concentração de vitaminas B6 e B9, que atuam na produção de hormonas relacionadas ao bem -estar e a melhor qualidade de sono. Além de conter ainda triptofano, um aminoácido necessário para o metabolismo da serotonina. A levedura de cerveja, rica em zinco, um mineral que age como regulador hormonal natural, e além disso favorece a síntese de varias hormonas como, progesterona e testosterona. A castanha do Brasil, rica em selénio, um mineral que ajuda no bom funcionamento da tiroide responsável pela produção de hormonas T3 e T4, importantes reguladoras do metabolismo.»

Num dos seus livros mais recentes, «Beyond Mars and Venus», John Gray alerta que os sintomas de instabilidade são potenciados pelo modo de vida atual – agitado e exigente – que potencia os tais desequilíbrios hormonais de que falámos. A irritabilidade, a depressão, a falta de energia e de desejo sexual, assim como a disfunção eréctil, são alguns dos sintomas  comprovadamente associados a baixos níveis da hormona testosterona nos homens. E a desregulação de cortisol, oxitocina, estrogéneo e progestorona  nas senhoras podem provocar, entre outros sintomas, irritabilidade e depressão,  E, claro, não é difícil perceber que estes sintomas não rimam, de forma alguma, com um estado de espírito romântico.

Ao cuidar de si, está a cuidar dos seus relacionamentos

No que toca aos sabores afrodisíacos, percebe-se então que, antes de mais, é preciso manter o organismo nutrido e equilibrado, para evitar instabilidades prejudiciais a qualquer relacionamento. Nomeadamente no que toca aos níveis saudáveis de testosterona, essencial ao bom desempenho sexual masculino, o site WebMD indica alguns alimentos que ajudam a assegurar os nutrientes essenciais à sua produção: a cebola e o alho (ricos em flavonóides), a carne magra, peixe, ovos, tofu (fontes de proteína), os peixes gordos como salmão, atum e cavala (ricos em ácidos gordos omega3 e vitamina D), os espinafres, amêndoas, amendoins e cajus (ricos em magnésio), as ostras (ricas em zinco), as româs (ajudam a baixar os níveis de cortisol / stress), entre outros. Recomenda ainda que, para não prejudicar a produção de testosterona, se afaste do álcool e dos tóxicos BPA (existentes em recipientes de plástico, por exemplo), durma bem e faça exercício muscular.

No que toca às senhoras, um estudo recente, «As mulheres em Portugal, hoje», divulgado recentemente pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, deixa adivinhar que o romantismo parece ser uma das suas últimas prioridades, já que a maioria das mulheres portuguesas vive infeliz e cansada com a vida profissional e pessoal.

Pior: o estudo revela ainda que «uma em cada dez toma diariamente medicação para a ansiedade, distúrbios do sono ou antidepressivos.»

E no que toca aos relacionamentos de casal, ficamos a saber que, para muitas mulheres, o romantismo anda pelas ruas da amargura: 26% nunca vão ao cinema, teatro ou a algum museu a sós com o companheiro e 30% nunca fazem uma escapadinha a dois. Nem sequer de forma esporádica ! Há ainda um reduto de 10% das mulheres portuguesas que nunca saem a sós com o companheiro, nem sequer para tomar uma bebida, almoçar ou jantar…

Os dados apurados traçam, no conjunto, um retrato preocupante das mulheres portuguesas: cansadas, infelizes e mal pagas, Como poderão ter ânimo para ser românticas e manter relações felizes, se estas exigem um empenho constante?

A psicóloga Cláudia Morais, especialista em terapia de casal, resume a diferença entre casais felizes e relações desastrosas: «Enquanto terapeuta conjugal, cruzo-me todos os dias com pessoas que vivem na pele as consequências de não terem conseguido nutrir a sua relação na medida certa. Na prática, os casais mais felizes são aqueles que não se acomodam, que não permitem que a vida a dois seja “engolida” pelas rotinas e pelas obrigações e que encaram o desafio de alimentar o amor romântico como prioritário. A manutenção da família depende da felicidade dos membros do casal. Se o casal ou, pelo menos, um dos seus membros não estiver feliz, há uma probabilidade muito elevada de a família se desfazer. E a felicidade conjugal está claramente dependente daquilo que formos capazes de fazer para manter a relação viva.»

Para assegurar o romantismo, é preciso, portanto, nutrir devidamente as relações, mas também os próprios elementos do casal – com boa nutrição e, já agora, sabores afrodisíacos! 

Afinal existem ou não sabores afrodisíacos? Sim, e muitos!

A nutricionista Lillian Barros explica que «desde a antiguidade algumas especiarias são utilizadas como fora de estimular o apetite sexual.» E acrescenta: «A verdade é que os alimentos não são milagrosos, mas podem ser um excelente aliado. Estes alimentos gozam da sua fama por terem a capacidade fisiológica de aumentarem a vasodilatação e favorecerem a irrigação em várias partes do corpo, mas que também conquistam pelo seu formato, odor, aroma e paladar!»

Quais são, então esses alimentos com poder afrodisíaco? A nutricionista apresenta uma lista de 14 alimentos de que vale a pena tomar nota:

Gengibre: Para além de estimular os sentidos pelo seu aroma inconfundível, também ativa o sistema circulatório e aumenta o desejo sexual.

Anis: Tem compostos estrogénicos (hormonas femininas) que são conhecidos por induzirem o apetite sexual.

Pimenta: A ingestão de pimenta e outros molhos picantes geram reações fisiológicas no organismo como, por exemplo, transpiração, excitação, aumento da frequência cardíaca e da circulação sanguínea. Estas reações ocorrem graças à capsaicina, um activo responsável pela sensação de ardor.

Ostras: Contêm grandes quantidades de zinco e selénio e são estes dois minerais que lhes conferem o estatuto de alimento afrodisíaco. Uma outra hipótese para a sua utilização como afrodisíaco é o facto da ostra se assemelhar ao órgão genital feminino. Recentemente, verificou-se que os mexilhões, mariscos e ostras contêm ácido D-aspártico, e os compostos de NMDA (N-metil-D-aspartato) podem ser eficazes na libertação de hormonas sexuais (como a testosterona e o estrogénio). Contudo ainda não foi determinado se a quantidade existente é a suficiente para fazer a diferença.

Morango, Baunilha e Canela: Esta combinação desperta os desejos sexuais pelos sentidos olfativos. Talvez sejam considerados afrodisíacos pela tradição, já que morango com chantily é  uma combinação sexy e os aromas de baunilha e canela também! Eles estimulam os sentidos, aumentando o desejo sexual.

Banana: Fruta fonte de triptofano, que atua sobre o equilíbrio dos neurotransmissores do cérebro, que melhoraram o humor e aumentar a autoconfiança. É ainda rica em magnésio, um mineral necessário para a produção de energia e excelente para um bom desempenho sexual.

Chocolate Preto: O chocolate sempre foi associado ao amor e ao romance. Contém feniletilamina e serotonina, responsáveis pela sensação de bem-estar e prazer, que ocorrem naturalmente no nosso organismo quando estamos felizes ou apaixonados.

Amendoim: Rico em vitamina B3, ele contribui para a vasodilatação sanguínea, o que influencia diretamente na libido, pois o aumento no fluxo de sangue prolonga a ereção e também as sensações de prazer enviadas ao cérebro.

Vinho Tinto: Devido ao seu conteúdo alcoólico, os casais sentem-se mais quentes, o que favorece o fluxo de  sangue e a desinibição. Em quantidades moderadas pode despertar o desejo sexual, contudo o consumo excessivo de álcool pode faze-lo/a sentir-se sonolento/a.

Mel: Na antiga Pérsia, os casais bebiam hidromel todos os dias durante um mês (conhecido como o «mês do mel» ou «lua de mel» depois de se casarem. O mel é rico em vitaminas do complexo B (necessárias para a produção de testosterona) e em boro (que ajuda o corpo a metabolizar e usar o estrogénio). Alguns estudos sugerem que o mel também pode elevar os níveis de testosterona no sangue.

Açafrão: É a especiaria mais cara do mundo, muito por culpa de na Índia ter a fama de possuir efeitos estimulantes a nível sexual. Somente o açafrão oriundo da planta asiática (crocus sativus) possui um poder especial sobre a libido masculina.

Alho: Há muito tempo os monges tibetanos não tinham permissão para entrar no mosteiro se tivessem comido alho porque dizia-se que o alho provocava paixões.

Manjericão: O manjericão é um dos muitos afrodisíacos conhecidos que pode ter a propriedade de melhorar a circulação sanguínea.

Espargos: Contêm vitamina E, que estimula a produção de hormonas sexuais que contribuem para uma vida sexual saudável e um aumento da potência sexual.

Figo: O seu alto teor em betacaroteno garante uma produção regular de hormonas sexuais e, enquanto boa fonte de vitamina C, fomenta a libido e reduz o stress.